09 maio 2011

Lançamento do livro “Em contos: CALPistas na criação”


     Aconteceu na última quinta-feira, dia 05 de maio, no auditório do Instituto Santo Tomás de Aquino, o lançamento do livro “Em contos: CALPistas na criação”. A obra é fruto dos alunos que participaram do CALP no segundo semestre do ano de 2010 com a perspectiva de produção de textos.
    Orientados pela Profª Helena Contaldo, todos que escreviam - seja fazendo uma apresentação, narrando, descrevendo ou dissertando - tinham uma tarefa: a de escutar e comentar os textos lidos pelos colegas. Esse foi, talvez, o maior desafio!
     Interessante fato é que a nossa proposta inicial não contemplava lançar livro algum, entretanto, os textos produzidos nos muitos encontros das tardes de quinta-feira suscitaram a pretensão de publicá-los.
    O evento contou com a presença do professor e membro da direção do Instituto, Pe. Cleto Caliman, demais docentes, dos alunos, convidados e da imprensa.
    Coroou o acontecimento uma brilhante apresentação do trieto musical composto pelos alunos Maksuel Costa (ao centro do palco), fr. Waldelir Soares Araújo, OFM (à direita) e fr. José Roney de Freitas Machado, OFM (à esquerda), que, ao som de música clássica e popular, deixou a plateia muitíssimo satisfeita.
   Na ocasião foram sorteados alguns livros e, em seguida, servido um coquetel com direito a música ao vivo do trio Sony, Ricardo e Márcio Henrique, os primeiros, graduandos do curso de Teologia e, o segundo, aluno do curso de Gestão Pastoral, todos do próprio Instituto.
   Que esse tenha sido apenas um dos inúmeros bons trabalhos que esse grupo tem a mostrar. Parabéns a todos!

Fotos do evento:









Leandro Santos de Carvalho


05 abril 2011

AULA 6: PONTUAÇÃO

Leia o texto.

Abelhas geômetras

As abelhas não só reconhecem as figuras geométricas, mas também sabem distinguir figuras disfarçadas, como um triângulo sugerido apenas por seus contornos. A conclusão é da bióloga Cláudia Boacnin, do Instituto de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP). Cláudia fez uma experiência que consistiu em treinar insetos da espécie Melipona quadrifasciata a buscar água com açúcar dentro de triângulos eqüiláteros. Mais tarde, ela substituiu esses triângulos por uma imagem com contornos ilusórios, o chamado triângulo de Kanizsa (porque foi criado em 1955, pelo cientista italiano Gaetno Kanizsa). Ao lado, colocou duas imagens que nada tinham a ver com triângulos. As abelhas reconheceram a forma que, na experiência inicial, trazia o alimento. Assim, fizeram a maior parte dos pousos (51%) sobre a figura que mais se parecia com um triângulo e apenas 24,5% sobre as outras duas.
Superinteressante, ano 8, n.5.

O parágrafo contém 7 sentenças e, portanto, 7 pontos. Observe que casa sentença contém um sujeito. Veja e complete:
1.    As abelhas...
2.    A conclusão...
3.   
4.   
5.   
6.   
7.   

Podemos tirar uma conclusão prática a respeito do uso do ponto. Geralmente, o ponto aparece sempre que um novo sujeito, e portanto, uma nova informação sobre ele, aparece na sequência do texto. Observe que o sujeito até pode ser o mesmo (Cláudia e ela, por exemplo), mas as informações são diferentes. Se não há ponto separando as sentenças, as informações vão se amontoando no texto e confundindo o leitor.

Exemplo (ruim!!):
Mais de 2.000 quilômetros quadrados de florestas espanholas viraram poeira. Em apenas quinze anos, dizem os especialistas em um congresso recente sobre desertificação eles denunciaram que na província de Almería, sede do evento no sul da Espanha 42% da superfície se transformou em terra estéril, constituindo o maior deserto da Europa.

Em geral, o ponto separa sentenças sintaticamente autônomas:

Cláudia estuda as abelhas. Ela está escrevendo uma tese sobre o assunto.

A emenda com vírgula, nesse caso, atropelaria as informações:

Cláudia estuda as abelhas, ela está escrevendo uma tese sobre o assunto.

Mas a língua dispõe de conjunções que substituem o ponto e estabelecem uma relação lógica entre uma informação e outra:

Cláudia estuda as abelhas e está escrevendo uma tese sobre o assunto.
Cláudia estuda as abelhas porque está escrevendo uma tese sobre o assunto.

A emenda com vírgula pode ser um recurso estilístico/literário:

Ele abriu a porta, ela esperou, ele não disse nada.

O uso do ponto cria um efeito de sentido diferente:

Ele abriu a porta. Ela esperou. Ele não disse nada.

Com a prática, você saberá sentir as nuanças de significação criadas por uma ou outra pontuação, e quando poderá “quebrar” as regras para enriquecer seu texto.

Agora, vamos pontuar:
1.    A vida em Estouros, povoado a 290 quilômetros de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno, os habitantes acordam com o raiar do sol e dormem quando as estrelas começam a surgir, os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos, nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve: feijão, arroz, couve, abóbora, de vez em quando, carne de porco ou de galinha, criados no quintal, ali ninguém conhece hambúrguer, pizza nem maionese, os jornais só aparecem para embrulhar encomenda, Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa um lugar central na residência da maioria dos brasileiros – um aparelho de TV.
2.    Quem dá uma dentada num suculento sanduíche Big Mac ouve, ao longe, o gemido de mais uma centenária árvore amazônica sendo derrubada, pelo menos é o que querem provar os ecologistas ingleses David Morris e Helen Steel, do grupo London Greenpeace, eles acusam o Mac Donald’s de fazer seus hambúrgueres, no Brasil, com carne de gado que almoça e janta sobre antigas florestas devastadas, os executivos da potência americana dos sanduíches juram que seus Big Macs são politicamente corretos e estão processando os dois ecologistas, além de uma indenização que pode chegar a US$ 10 milhões, a empresa quer proibir os irrequietos Morris e Steel de distribuir o folheto O que está errado com o Mac Donald’s, do qual já foram feitos 1,5 milhão de cópias, em 24 idiomas.

Informações complementares:
Toda sentença complexa bem estruturada quase sempre gira em torno de um sujeito e de um predicado, isto é, em cada sentença dizemos algo de alguma coisa.
Há, também, uma série de informações que podem ser anexadas a esse eixo central da sentença complexa, informações complementares:

1.    Mais tarde, ela substituiu esses triângulos por uma imagem com contornos ilusórios.
2.    Ao lado, Cláudia colocou duas imagens que nada tinham a ver com triângulos.

Essa informação normalmente é separada por vírgula se estiver deslocada na frase. Teste, reescrevendo as frases, os locais onde a informação complementar pode aparecer:

1.    As aparências quase sempre enganam em matéria de saúde.
2.    Você encontra todas as dicas para acompanhar o eclipse com segurança nas páginas seguintes.
3.    O elipse será parcial no resto do país.

O ponto-e-vírgula:
Para separar itens de uma enumeração (use letra minúscula!):
Os problemas do time são:
a)    falhas na defesa;
b)   goleiro inexperiente;
c)    excesso de lesões nos jogadores.

A enumeração também pode ser contínua:

Os problemas do time são: falhas na defesa; goleiro inexperiente; excesso de lesões nos jogadores.

Nas sentenças (pode ser substituído por ponto):

Os maias construíram uma civilização admirável; apesar disso, nada sobrou além de ruínas.
O problema não é exatamente o preço alto; o problema é o salário baixo.

Exemplo (ruim!):
Imaginando o que poderia ter acontecido; o vizinho saiu à procura do filho.
O resultado do Macjulgamento; como vem sendo chamado pelos ingleses, deve sair nos próximos meses.

Treinando:
1.    Na verdade, o ministério não é coeso, existem diferenças ideológicas substanciais entre algumas pastas.
2.    A falta de verbos é um aspecto importante, igualmente importante, entretanto, é a vontade política.
3.    O ponto-e-vírgula não divide sentenças simplesmente em função da pausa, na maior parte dos casos, ele divide sentenças sintaticamente autônomas que mantêm uma forte relação semântica entre si.

Reescreva cada grupo de duas sentenças abaixo em uma única sentença complexa, transformando a primeira informação numa informação complementar:
a)    O juiz estava preocupado com a violência. Ele baixou uma portaria proibindo a circulação de menores de 18 anos pelas ruas da cidade depois da meia-noite.
b)   Outros juízes se inspiraram no exemplo. Eles também decretaram o toque de recolher à meia-noite.
c)    O juiz ancorou-se na constatação de que 30% das ocorrências policiais têm adolescentes envolvidos. Ele assinou a portaria.
d)   As mães estavam apavoradas com a violência. Elas proibiram os filhos de sair às ruas.
e)    Alguns advogados se espantaram com a portaria. Eles contestaram-na na Justiça.

FARACO, Carlos A.; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2003. p.107-113. Adaptado.