15 abril 2010

AULA 6 - LEITURA DE PLACAS E CARTAZES


O objetivo desta aula é discutir os possíveis sentidos advindos da leitura de placas, cartazes, avisos, fachadas (placas ridículas) que encontramos pelas ruas em nosso cotidiano. São textos curtos, redigidos por autores às vezes despreparados para o manejo da escrita. Esses textos são lidos fora do sentido pretendido pelos autores e relidos como 'ridículos'. Ora, mesmo que soem engraçados, o que está por trás desse humor é um sério despreparo do autor e um grave desconhecimento não só da norma culta da língua, mas do sistema linguístico como um todo.

Algumas perguntas precisam ser respondidas se quisermos elaborar uma análise mais cuidadosa desse tipo de texto.

São elas:
1. O texto é uma placa? Um cartaz? Um aviso? A primeira atitude é identificar o GÊNERO TEXTUAL,
2. Esse texto foi retirado de um blog chamado ‘Placas Ridículas’. Você o considera apropriado para esse tipo de leitura? O texto é realmente ‘ridículo’? Por quê?
3. A seu ver, qual o principal problema do texto (linguagem, ortografia, adequação vocabular...)?
4. Como você, leitor, desenha o emissor/autor desse texto? Procure descrever suas características a partir do enunciado e de seu propósito.
5. Qual a intenção desse emissor? Você acredita no seu sucesso, com base no texto em análise?
6. Dialogue com o texto. Escreva uma frase em ‘resposta’ ao que foi dito. Depois (por curiosidade! Não há certo nem errado!), compare seu comentário com o que foi escrito pelo autor do blog. Esse exercício permite visualizar níveis diferentes de leitura!



Ao inserir seu comentário, indique a placa a que você se refere. Caso ela não esteja aqui, providenciarei a inclusão. Bom trabalho!
As perguntas podem ser respondidas emm forma de um texto único.

25 março 2010

AULA 5 - LEITURA DE POEMAS

O ferrageiro de Carmona


Um ferrageiro de Carmona,
que me informava de um balcão:
"Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez, não a mão.

Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro
então, corpo a corpo com ele,
domo-o, dobro-o, até o onde quero.

O ferro fundido é sem luta
é só derramá-lo na forma.
Não há nele a queda de braço
e o cara a cara de uma forja.

Existe a grande diferença
do ferro forjado ao fundido:
é uma distância tão enorme
que não pode medir-se a gritos.

Conhece a Giralda, em Sevilha?
De certo subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
dos quatro jarros das esquinas?

Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de forma,
moldadas pelas das campinas.

Dou-lhe aqui humilde receita,
Ao senhor que dizem ser poeta:
O ferro não deve fundir-se
nem deve a voz ter diarréia.

Forrjar: domar o ferro à força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga.”

MELO, João Cabral de. Crime na calle Relator. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1087. p.31-32.

Questões
1. Quem fala no poema? A quem ele se dirige? Que marcas linguísticas permitem afirmar isso?

2. De que trata o poema, num primeiro plano de leitura? Indique palavras que comprovem essa leitura.
3. A figura ajudou a estabelecer sentido para o poema? Se sim, de que forma?
4. Que termos não se encaixam nessa leitura (desencadeadores) e podem levar a um segundo plano de leitura?
5. Como se caracterizam a imitação e a criação em CADA plano de leitura?

Paisagens com cupim


No canavial tudo se gasta
pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora.
qual coisa que em coisa se choca.

Tudo se gasta mas de dentro:
o cupim entra os poros, lento,
e por mil túneis, mil canais,
as coisas desfia e desfaz.

Por fora o manchado reboco
vai-se afrouxando, mais poroso,
enquanto desfaz-se, intestina,
o que era parede, em farinha.

E se não se gasta com choques,
mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
Do que não quebra, se desmancha.

MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas (1940-1965). 3.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979. p.149.

Questões
1. Que palavras indicam oposição semântica: exterioridade X interioridade?
2. Que palavras indicam a oposição sentido X ruído?
3. Qual o tema do poema?
4. Quais as palavras desencadeadoras de leitura em outro plano?
5. Levando em conta a possibilidade de várias leituras, a corrosão (desgaste) pode ser lida no plano físico, histórico e humano. Explique.

Atividade baseada em: PLATÃO & FIORIN. Para entender o texto: leitura e redação. 16.ed. São Paulo: Ática, 2003. p.104-107.